Foi difícil pra mim voltar a escrever sobre meus sentimentos, principalmente depois que você chegou. Eu pensei estar preparada para ser mãe. Lia sobre educação dos filhos, sobre atividades sensoriais, via vídeos e achava que tudo aquilo me bastava. Mas quando você chegou mudou tudo: meu corpo já não era o mesmo, minha cabeça pensava além, meu relacionamento com seu pai mudou drasticamente... 
Daquele dia 27 de maio em diante nossas vidas girariam a seu redor. E o sentimento é tão forte que já na primeira noite não consegui dormir: olhava pra você no bercinho ao meu lado e tinha medo de qualquer coisa acontecer com você, minha pequena! O tempo foi passando e fui aprendendo a ser mãe e a fazer as coisas de mãe: trocava fraldas, te aquecia no frio e te refrescava com um banho no calor, me esforçava para continuar te amamentando mesmo retornando ao trabalho, e abri mão do mesmo pra ficar com você mais tempo. Te dei a primeira frutinha e me decepcionei com suas caretas. Preparei sua primeira papinha e era fiel a receita passada todos os dias, mesmo que na maioria das vezes você odiasse. Eu como mãe queria poder te dar o mundo, mesmo você querendo só minha atenção. E se não podia comprar algo que queria pra você meu coração apertava (e ainda aperta). 
Então você foi crescendo: aprendeu a rolar com 5 meses, com 6 já sentava, aos 8 ficou em pé no berço me dando o maior susto, aos 9 trocou os primeiros passos e aos 10 caminhou sozinha. Que orgulho! Você nunca teve medo de se arriscar, mesmo com menos de 1 m de altura. Então você fez 1 ano e já me levava a loucura: era curiosa que só, se arriscava o tempo todo e sempre estava procurando algo para se distrair. Confesso filha que por muitas vezes perdi a paciência, mas meu amor por você ainda era maior que a raiva e a frustração do momento. Eu queria ser uma mãe super-heroína e dar conta de tudo: de você, do seu pai, da casa, da faculdade, dos trabalhos artesanais que fazia para completar a renda e de mim, mas não conseguia. Algo ainda me faltava, o estresse me dominava e eu acabava não te dando toda a atenção que queria. 
Filha, quanto mais você crescia maior era minha responsabilidade como mãe. Quando completou 2 anos a mamãe tinha acabado de conseguir um emprego novo, tudo parecia se encaixar, você mais esperta que tudo, já entendia muita coisa: fazia pirraça pra conseguir o que quer (qual criança não faz?!) e conversava como uma criança mais velha. E então começou a me rejeitar... 1 mês depois o motivo: você seria irmã mais velha!!! Que surpresa!!! O que era pra ser um momento de alegria foi um grande susto pra nós. Não conseguíamos enxergar os planos de Deus nisso tudo. Você precisava de nós mais que tudo, mas o sentimento que nascia era inexplicável: como assim outro filho? O medo se apossou do meu coração e passei semanas aos prantos, sem saber qual direção tomar.
Hoje, exatamente 2 anos e 6 meses de seu nascimento, consigo enxergar o que Deus quer de mim como mãe: Ele quer que eu seja instrumento para levar vocês 3 ao céu! Não sou perfeita, preciso melhorar 99% ainda, mas agora consigo ver o que faltava em meu coração desde o início da sua gestação: a certeza do plano de Deus pra minha vida como mãe, esposa e intercessora do lar.
Filha, finalizo esse texto lembrando você do quanto te amo. Quando escolhi seu nome sabia da certeza de que você traria Deus pra mais perto de mim, e isso que tem feito. Sei que não sou perfeita, que muitas vezes você não entenderá minhas atitudes ou não concordará com minhas regras, mas a mamãe é humana e também erra, mas isso não interfere no amor que sinto por você!

Com amor,

mamãe.

Deixe um comentário